Como lidar com crises de ansiedade em crianças



A ansiedade em crianças precisa ser discutida de forma mais ampla. Segundo a revista Veja, cerca de 10% das crianças sofrem de algum tipo de transtorno de ansiedade. É o transtorno psiquiátrico mais comum em crianças, seguido pelo transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).


Assim como a pandemia do COVID-19 abalou a saúde mental dos adultos, a saúde mental das crianças também sofreu danos. O compromisso diário com as atividades escolares e extracurriculares acabou, deixando-os com muito tempo livre. No entanto, a energia de um pai não pode ser comparada à de uma criança pequena.


O resultado dessa distinção é o acúmulo de energia das crianças, que se exterioriza por meio de atitudes e brincadeiras às vezes inadequadas. Outra consequência é a superestimulação de telas pequenas (telefones, computadores e TVs), pois os pais tentam silenciar e distrair seus filhos o mais rápido possível e por períodos mais longos.


Essas posturas podem aumentar a ansiedade em crianças porque elas não têm as habilidades cognitivas para entender e gerenciar emoções que os adultos têm. Como resultado, a probabilidade de uma crise ou consequências graves tende a ser maior


Sintomas de ansiedade em crianças


As crianças levam mais tempo do que os adultos para processar um evento ou uma mudança. Elas passam por um longo período de interpretação e adaptação à nova situação. Como resultado, a ansiedade pode "aparecer" depois de alguns dias ou meses.


Os sintomas mais comuns de ansiedade em crianças são:

  • mudança nos hábitos alimentares, podendo ser comer muito ou menos que o habitual;

  • enxaquecas ou dores inexplicáveis;

  • pesadelos recorrentes;

  • distúrbios do sono;

  • pedir para dormir com os pais com frequência;

  • isolamento social;

  • fobias;

  • perda de vontade de fazer atividades e brincadeiras as quais gostava;

  • destruição de brinquedos ou objetos pessoais;

  • tristeza ou apreensão constante com temas além da sua compreensão;

  • problemas digestivos.

Os pais não devem ficar zangados ou impacientes com esses comportamentos. Se houver alguma dúvida sobre o que é patológico ou o que está relacionado ao comportamento infantil, o melhor é procurar um psicólogo. Além de diagnosticar a ansiedade, o tratamento pode evitar que as crianças interpretem mal as mensagens dos adultos e desenvolvam traumas na infância.


Informações enganosas são muitas vezes transmitidas sem saber. Afinal, muitos pais (e adultos em geral) não compreendem o impacto de palavras e ações no emocional e psicológico das crianças.


Como lidar com crises de ansiedade em crianças?


Quando uma criança está em crise, um pai ou responsável desempenha um papel importante na estabilização de suas emoções. No entanto, por se tratar de uma situação complexa, muitas vezes os pais cometem erros, tenham ou não as melhores intenções.


Ao contrário dos adultos, uma criança não consegue entender o que está acontecendo com ela. Depois de experimentar repetidos ataques de ansiedade, você pode ter uma ideia dos sintomas e sentimentos, mas não consegue lidar totalmente com o possível transtorno. Por isso, a ajuda de um dos pais ou responsável é essencial.


Os sinais de uma crise de ansiedade a serem observados são: hiperventilação, tremores nas mãos ou em outras partes do corpo, choro descontrolado, sudorese, tensão muscular e palpitações cardíacas.


Como reagir diante de uma crise?

  • validar as emoções e/ou sentimentos dos pequenos;

  • mostrar que estão lá para ajudá-las;

  • tentar distraí-las por meio de conversas casuais e questionamentos sobre como foi o dia, o que gostaria de comer no jantar e qual brincadeira gostaria de fazer com os pais;

  • evitar contato físico imediato. Observe o comportamento da criança para verificar o momento mais apropriado para abraçá-la ou tocá-la;

  • remover brinquedos ou objetos que possam machucar a criança do cômodo. Ela pode se movimentar sem querer e esbarrar/pisar neles e se machucar;

  • fazer exercícios de respiração para a criança copiar, tentando fazê-la manter contato visual durante o processo; e

  • permanecer com a criança durante a crise.


Depois de identificar o primeiro ataque de ansiedade, recomenda-se uma consulta com um psicólogo. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil e rápido o tratamento.


O que fazer com a ansiedade infantil no dia a dia?


A forma como as famílias lidam com a ansiedade que seus filhos apresentam diariamente pode reduzir os sintomas das crises e diminuir sua frequência.


Os pais ou responsáveis ​​são os principais modelos na vida das crianças, suas ações são mais importantes para elas e elas as veem como heróis.


Em seguida, veja algumas maneiras de suavizar a ansiedade em crianças:


1. Tome cuidado com o que fala


Os pais devem estar atentos a como se sentem em relação a vida para não assustar ou preocupar seus filhos. Essa cautela deve se estender a outros assuntos do dia a dia.


Respostas raivosas ou muito vagas podem aumentar a ansiedade da criança. Portanto, sempre escolha um diálogo genuíno, paciente e aberto com seu filho.


2. Tente seguir a rotina


Tente manter uma rotina consistente que dê ao seu filho uma sensação de controle. Lembre-se, a criança observa o comportamento dos pais e os interpreta como correto.


Além disso, mantenha hábitos saudáveis para ensiná-los sobre a importância da resiliência.


3. Não evite o medo da criança


As crianças podem mostrar medos muito imaginativos! Eles podem vir de filmes ou desenhos animados, ou da imaginação de alguém.


Embora seja necessário tranquilizar seu filho de que não há necessidade de se preocupar, não veja o medo como algo "em suas mentes". Nesse caso, o comportamento mais adequado é ensinar maneiras saudáveis ​​de lidar com a superação do medo.


4. Converse sobre a situação que gera ansiedade


Se seu filho tem preocupações excessivas, tente entender seus sentimentos e preocupações, mesmo que pareçam irracionais. Mesmo entre os adultos, a ansiedade pode ser facilmente alimentada por medos que a maioria das pessoas geralmente não entende.


Antes de aconselhar seu filho, pergunte a ele como ele está se sentindo e demonstre empatia. Dizer "Eu sei que isso é complicado/difícil’’ ou mesmo ‘’Não há problema em se sentir triste/com raiva" é uma maneira de validar suas experiências e emoções. Só então você pode oferecer conselhos sobre como lidar com o objeto da ansiedade.


Mais uma vez, ressalta-se a importância de encontrar um psicólogo para uma avaliação abrangente da condição da criança. Os pais também podem se beneficiar de acompanhamento psicológico e orientação profissional!


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