Qual a importância do ‘’não’’ na infância?


Não. Uma palavrinha que conta com apenas três letras mas que diz tanta coisa. Na maioria das vezes, mal conseguimos utilizá-la no dia a dia, principalmente quando o resultado dela é birra, choro ou uma ação negativa. Afinal de contas, quem gosta de receber um ‘’não’’?


Embora a palavra não seja aceita voluntariamente, ela é importante em todas as etapas da vida de um ser humano, exclusivamente na infância. O ‘’não’’ tem um potencial enorme na formação de caráter de uma criança, uma vez sinaliza a diferença entre certo e errado.


Além disso, os ‘’nãos’’ que recebemos durante a infância transmitem advertências, mostrando à criança o que ela pode ou não fazer. Dessa forma, é possível impor limites e, ainda sim, oferecer liberdade ao pequeno na medida certa.


Crianças que não sabem até que ponto a liberdade se estende compreendem que podem fazer tudo o que querem o tempo inteiro (não porque querem chamar a atenção dos pais, mas sim pois foram instruídas desta maneira).


Por que dizer ‘’não’’ na infância?


É comum que na própria rotina familiar os familiares e amigos saibam lidar com o fato da criança não respeitar os limites impostos. O grande problema é quando o pequeno passa a desenvolver uma vida social ativa, convivendo com colegas e professores diariamente.


Uma vez que a criança entra em contato com o meio social e escolar, deparando-se com advertências e imposição de limites, é possível que haja uma certa dificuldade de adaptação, afinal, é uma realidade diferente da sua.


Nesses casos, a criança entra em conflito consigo mesma, pois não consegue lidar com a frustração de não poder fazer o que quiser. Nesta fase, é comum que apareçam comportamentos agressivos, bem como dificuldades no processo de aprendizagem.


Mas será que é justo ou mesmo necessário culpabilizar alguém? Os pais? Os avós? Tios? Tias? As crianças? Será que é viável encontrar um culpado pela situação? Falaremos sobre isso no tópico a seguir!


Quem é o responsável pela falta de limites?


Em primeiro lugar, é importante mencionar que nas gerações antigas era normal que a educação familiar se baseava em palmadas, regras e trabalho infantil, exemplos disso são as pessoas mais velhas que relatam que tinham filhos para auxiliar no trabalho pecuário.


Assim, muitas crianças deixavam de estudar e brincar para ajudar os seus pais na roça, a fim de contribuir para o âmbito financeiro da família. As crianças desta geração cresceram, e decidiram fazer diferença na criação de seus próprios filhos: não criá-los da mesma forma que foram criados - e está tudo certo.


O grande impasse é quando esses pais decidem criar a criança em uma bolha, pensando em livrá-la de toda angústia e frustração que terão que vivenciar na infância, pois não aguentam ver o filho enfrentando situações difíceis. Por isso, não usam o ‘’não’’.


As regras são meios fundamentais para mostrar às crianças como elas devem se comportar em determinados espaços. Na escola, por exemplo, os limites são necessários para que haja padronização e organização. Contudo, se a criança não está acostumada a conviver com limites, fará tudo da forma que bem entender, independente de regras estabelecidas.


É comum que profissionais que trabalham na área da educação apresentem queixas relacionadas ao comportamento dos alunos, essencialmente na fase infantil. Assim, observa-se que muitas crianças não compreendem e não acatam as regras escolares, dificultando a convivência com os colegas de classe.


A transmissão de valores por parte da família


É importante ressaltar que nem todos os pais que têm medo de dizer ‘’não’’ para os filhos trabalharam na roça ou tiveram uma infância difícil - este foi apenas um cenário utilizado para facilitar a compreensão do tema.


Há casos de pais que trabalham tanto que mal têm tempo para aproveitar a infância do filho, deixando-o em frente de aparelhos eletrônicos para distraí-lo. Nesses casos, é normal que a criança queira chamar a atenção fazendo birra ou desobedecendo as regras.


Lembre-se que é na família que se adquire valores, tradições e aprende cultura. É no âmbito familiar que a criança tem a oportunidade de construir uma rotina, contar com orientações e obter tarefas, a fim de entender o seu papel no espaço familiar.


Dessa forma, fica mais simples a compreensão que a própria criança tem do seu papel na escola, no balé, no futebol e em todos os demais espaços que frequenta. Ela saberá que possui um lugar, assim como outras pessoas, e que deve respeitá-lo.


Criar regras e limites não é uma tarefa fácil. No entanto, se pensarmos no futuro e, principalmente, nos desafios da vida adulta, dificilmente uma criança que ouviu ‘’sim’’ a infância inteira aceitará um ‘’não’’ em uma entrevista de emprego, por exemplo.


Por isso, é de suma importância a união familiar neste processo, ensinando, aos poucos, o que a criança pode fazer ou não. Assim, ela crescerá com base nos valores transmitidos pelas pessoas que a ama, tornando-se um adulto muito mais saudável e equilibrado.


Mas, afinal, como impor limites aos filhos?


Agora que você percebeu o poder do ‘’não’’, é importante que você saiba como dosar rigidez e carinho na relação com seus filhos. Ou seja, fazer com que eles te respeitem e respeitem os demais não deve ser confundido com autoritarismo.


Pensando nesta tarefa que demanda tempo e atenção, preparamos uma lista com 5 passos para que você consiga impor limites aos filhos sem ultrapassar a barreira do respeito e do afeto. Confira!


1. Evite punições


Embora pareça que punições tenham um efeito positivo na maioria das crianças na hora de impor limites, em muitos casos esse tipo de atitude pode trazer revolta para a atitude dos pais. Com isso, a criança não desenvolve a ideia de que deve agir desta maneira pois é o correto, mas sim para evitar a punição dos pais.


Sendo assim, a melhor maneira de mostrar que uma atitude é errada é por meio do diálogo e comunicação. Demonstre ao pequeno que tal ação lhe gerou descontentamento, de modo que a criança realmente compreenda que não deve ultrapassar a barreira da confiança.


2. Imponha-se na fala


Durante uma discussão, é fundamental que você tenha cuidado com o tom de voz a ser utilizado com a criança. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, uma fala carregada de agressividade pode impactar a forma que o seu filho te enxerga.


Ainda que esse tipo de conduta faça com que a criança adote o comportamento esperado, cria-se um reflexo referente ao medo da reação parental, ao invés do real amadurecimento e compreensão frente a situação.


Nesse sentido, o ideal é que a abordagem dos pais seja sempre clara e firme, fazendo com que a criança enxergue que precisa mudar o seu comportamento - e não pelos pais, mas sim por si mesma.


Quando houver a possibilidade de surgirem situações similares, a própria criança desenvolverá a consciência de que não pode agir da mesma maneira, tendo naturalmente um entendimento de limite.


3. Não suborne


Um hábito muito comum na criação de filhos é a troca. Para que a criança pare de chorar ou se comporte de uma determinada maneira, os pais prometem algo que o pequeno goste, ou mesmo que seja um sinônimo de diversão.


A péssima notícia é que esse tipo de conduta oferece um resultado momentâneo, afinal, acaba mostrando que a criança deve adotar um bom comportamento apenas para ser recompensada.


Em vez de agir dessa maneira, é preciso que os pais desenvolvam a noção do certo e errado da criança, demonstrando, sempre que possível, aprovação perante um bom comportamento ou a mudança de outro indesejável.


Para isso, você pode colocar um sorriso no rosto de aprovação ou usar uma palavra que incentiva a manutenção daquela atitude, a fim de consolidar a busca pelo aprendizado e disciplina constantes.


4. Não faça ameaças


Outro atitude essencial a ser evitada é fazer ameaças. Assim como a fala grosseira, a imposição de ameaças pode causar um impacto extremamente negativo para o desenvolvimento cognitivo e psicológico da criança.

Além disso, a presença do medo durante a infância pode criar traumas e ressentimentos na criança, o que prejudica não só a relação entre pais e filhos, como também a vida emocional e sentimental quando adulto.


Vale ressaltar ainda o fato de que não cumprir uma ameaça no caso de mau comportamento pode descredibilizar a autoridade dos pais, o que transmite a ideia de que ultrapassar os limites não terá consequências reais.


Por outro lado, cumprir a ameaça pode gerar um desgaste emocional intenso para ambas as partes, além de não ser a solução que irá resolver o mau comportamento da criança.


5. Não questione a autoridade do parceiro


Lembre-se que a autoridade de ambos os pais deve existir de maneira igualitária no imaginário da criança. Problemas familiares ou conflitos entre falas podem gerar confusão na cabeça do pequeno, essencialmente quando se diminui a autoridade de um dos pais.


Esse tipo de atitude é extremamente prejudicial, uma vez que a criança passa a enxergar uma das partes com descredibilidade . O ideal é que sempre haja uma discussão entre os pais sobre a ação a ser tomada frente a criança, de modo que a abordagem seja certeira e eficaz.


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